Colunistas

Estamparia Digital Têxtil: seja mais competitivo

topo artigo - serig - global (1)

Em um cenário no qual a produção têxtil no Brasil não cresceu ou, até pior, registrou índices negativos nos últimos anos, resta ao empresário do segmento buscar soluções criativas para manter o valor agregado e se destacar no mercado, evitando a competição direta com concorrentes externos. Justamente neste ambiente desafiador é que a Estamparia Digital Têxtil vem tomando força e registrando crescimentos acima de 25% ano após ano, parecendo até imune à crise que a cerca.

Pela facilidade do processo, a impressão digital em artigos de poliéster (sublimação) é hoje a mais difundida no mercado brasileiro. Não à toa, mais de 2.500 empresas possuem tecnologia para realizá-la. Porém, quando falamos em impressão direta em fibras naturais, o método de produção fica mais complexo, o investimento em maquinário maior e, consequentemente, a modalidade fica limitada às empresas de grande/médio porte.

Pelo menos 40 indústrias nacionais, contudo, se desenvolveram e hoje podem imprimir diretamente nessas fibras, agregando valor e colocando-se em um patamar diferenciado de competitividade.

Chamada de estamparia “direta” ou estamparia de corante “reativo“, esse tipo de trabalho possui desafios e particularidades que, com ajuda da nossa equipe técnica, vamos procurar desvendar no artigo de hoje, de forma simples e compreensível.

Se dividirmos o processo em 5 etapas macro, o entenderemos de forma mais objetiva:

Etapa 1 – ESCOLHA DO ARTIGO 

Esta fase definirá toda a sequência de trabalho – como no processo de tingimento, cada fibra apresenta uma afinidade e absorção diferentes, determinando a classe do corante a ser utilizado. Por exemplo: se o substrato em questão é o algodão ou viscose, o corante adequado é o reativo.

Etapa 2 – PREPARAÇÃO DO TECIDO

É muito importante o controle de qualidade nesta fase, qualquer resíduo presente na fibra e/ou alteração do grau de branco podem influenciar no resultado final do artigo, podendo diminuir a solidez e a reprodução das cores no tecido.

Etapa 3 – IMPREGNAÇÃO 

Nesta fase, o artigo será preparado para receber a tinta – aqui é necessária uma formulação química de impregnação para cada tipo de fibra que consiste, basicamente, em preparar quimicamente os tecidos para receber o corante, provendo definição à estampa e, principalmente, um meio químico propício para que a reação do corante possa acontecer de forma completa nos próximos passos.

Esta etapa influencia, e muito, no rendimento das cores e na quantidade de cores diferentes a ser gerada na perfilação (próxima etapa). A impregnação também tem influência direta no processo de lavagem e acabamento, pois, dependendo dos produtos utilizados, a otimização desta fase diminui os custos finais de produção e a obtenção de melhores resultados.

Etapa 4 – GERENCIAMENTO DE CORES E IMPRESSÃO 

O gerenciamento das cores é realizado a partir da geração do perfil (ICC), responsável pela quantidade e intensidade de cores alcançadas na impressão. Com uma boa calibração, pode-se obter cores fiéis (em relação àquelas vistas no monitor na hora de criar o desenho) e vibrantes, além de um preto intenso.

Depois de criar um perfil e fazer uma calibração propícia no equipamento, é hora de imprimir: com uma máquina de alta qualidade, aliada a uma tinta de primeira linha, a impressão em si será uma das partes mais fáceis de todo o processo!

Etapa 5 – FIXAÇÃO, LAVAGEM E ACABAMENTO

O sucesso desta fase terá grande influência na solidez, rendimento, brilho, toque e custo do artigo final. A fixação da tinta no substrato é realizada através da vaporização, com ajustes de pressão, temperatura, tempo e umidade, para que ocorra, assim, um bom resultado da reação química. A lavagem pode ser em processo contínuo ou descontínuo, dependendo do artigo em uso, e o acabamento é a finalização do processo, onde serão proporcionados o toque final e a estabilidade do artigo.

No processo digital, todas as etapas estão interligadas e o sucesso do conjunto resultará em uma estampa perfeita. Todas as etapas precisam ser bem controladas com o mínimo de variação possível, pois, diferente da impressão realizada no processo convencional, a quantidade de tinta utilizada por m² é muito pequena, ficando em média 6 ml/m² em estampas próximas a 100% de cobertura. Uma pequena variação no processo acarretará em um grande impacto no resultado final da impressão.

Para empresas que não possuem condições de ter este procedimento dentro de casa, há a possibilidade de realizarem a impressão digital supracitada em empresas que prestam serviços para terceiros. Portanto, é possível comprar ou fabricar seu próprio tecido e enviá-lo cru, para que estas empresas estampem os tecidos e os devolvam já prontos para a venda/confecção.

Embora a estamparia digital venha crescendo muito, como descrito no início deste artigo, estima-se que menos de 5% da produção mundial seja feita em digital, com os outros 95% ainda feitos em estamparia convencional/rotativa. Porém, com a evolução tecnológica, é iminente que os números mudem de forma significativa nos próximos anos.

As empresas que investirem no digital e crescerem com ele, certamente serão aquelas que terão maior sucesso e longevidade neste segmento. Somado ao investimento na área, é fundamental a escolha de um parceiro que possa fornecer tintas e produtos de alta qualidade para que este processo complexo se torne apenas mais um procedimento comum do dia a dia das empresas, adequado a um custo mais otimizado possível. Certamente, a impressão digital é o caminho para que a produção têxtil volte a crescer no Brasil e nos coloque em posição de destaque no cenário mundial.

rodapé-artigo-serigrafia-globalquimicaemoda-impressaodigital

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *